
Estes dias de Inverno chuvoso deram-me um tempinho extra, para esta minha (nova) addiction blogosferica.
Nos meus ciber-passeios encontrei alguns blogs para espantar as mágoas da perda, provisória, definitiva, física ou emocional. A dor de quem perde, um amor, um amigo, um filho, um pai, é sempre a maior de todas, maior de que a dos outros.
Há quem defenda que devemos aprender a perder. Aceitar a perda de pequenas coisas, devagar, até sermos capazes de suportar a grande e irremediável perda por morte física. Não concordo.
Quem perde, sabe que a morte ou outras partidas, são sempre uma surpresa (mesmo as esperadas), são sempre o fim do mundo, o fim da vontade de viver, o fim de um modo de estar, porque já não possível voltar a ter quem partiu.
Quem perde, tem sim de aprender a esquecer, a não lembrar por um segundo, por um dia, por um ano, mas nunca por uma eternidade. As verdadeiras perdas nunca se esquecem. Não é possível esquecer.
Acho que as rugas da pele são o registo das nossas felicidades e infelicidades. As perdas violentas são acontecimentos que se entranham no código genético e de lá não saem nem com escalpe cirúrgico.
Mas há paninhos quentes, rotinas e gestos que nos aliviam a dor. A mim “faz-me bem”, mergulhar num texto do MEC, com que remato este post, para não alongar (ainda) mais.
"Como Esquecer"
Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?
As pessoas têm de morrer, os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar. Sim, mas como se faz? Como se esquece?