
Divórcio é a principal causa do crédito malparado in
Sol
A primeira dificuldade é explicar aos menos iluminados, que ser sozinho não é a mesma coisa que estar só. Para além de ser um conceito pouco fácil de se perceber, ser sozinho ou sozinha – ser solitário, não é missão para qualquer um.
Nenhum Supermercado tem um “cartão de solitário” e as promoções são exclusivas para as embalagens familiares.
Marcar férias é outra tarefa difícil. Logo na escolha dos hotéis somos penalizadas pela “taxa extra para singles”. Uma vez chegadas ao local, as outras mulheres pensam que somos gatas felinas, à espera de uma boa oportunidade para afiambrar as garras nos maridinhos e, os homens cheios de boa vontade, experimentam tentativas várias de acasalamento passageiro.
Ser homem solitário (dizem-me outros membros do meu club), é ainda mais difícil. São facilmente rotulados como turistas sexuais (ditos normais), homossexuais à caça, pedófilos, ou pior ainda, rotulados com pelo menos duas das hipóteses anteriores.
È provável que as portagens para se entrar em Lisboa venham a ser mais caras para os condutores solitários. Trata-se, claro, de mais outra ofensiva contra os solitários.
Ser solitário é uma tarefa estóica que requer um espírito incorruptível e persistente. Resistir à tentação do casamento, amigamento ou outro qualquer tipo de ajuntamento, requer perícia, determinação e claro, muito dinheiro.
Ontem foi notícia que os divórcios são a causa de 800 milhões de euros em calotes, à banca. Toda a gente já sabia, mas agora tornou-se mais claro: a liberdade tem um preço e, normalmente é pago ao Banco.
Em suma: ser solitário não é um estilo de vida ao alcance de qualquer um e quem se atreve a desafiar a “sagrada família”, a arrisca-se a ser crucificado.